Historiador surpreende ao falar de lendas urbanas

publicado em 01/04/2010 - 16:53 por

Nada mais apropriado do que falar sobre lendas urbanas num primeiro de abril, não acha? Pois foi o que decidimos fazer. Inicialmente, a produção trabalhava com nomes de pesquisadores do tema, mas não foi possível agendar participação com nenhum. Depois de várias tentativas, veio a solução: Renatinha lembrou das aulas de História no colégio e do professor, que contava muitas estórias para prender a atenção da turma. Perfeito!

Nosso entrevistado, o professor Alexandre Neto, surpreendeu. Não que não tivesse dado crédito aos comentários ouvidos, mas é que uma sala de aula é diferente do estúdio e o foco de pesquisa dele não era o nosso tema. Pois ele sabia de todas as lendas urbanas que citei. Desde a temida Loira do Banheiro, narrativa mais parecida com um jeitinho brasileiro para se conseguir manter estudantes dispersos dentro da sala de aula, passando pelo Véi do Saco (uma versão, digamos,  moderna para o Papa-figo), o Cão da Itaoca, a Hilux Preta, até chegar no Corta Bundas. O professor tinha tudo na ponta da língua!

Das páginas policiais para o imaginário popular

A história do homem que entrava em lares simples na calada da noite, lá pelos idos dos anos 80, e cortava o bumbum de mulheres de todas as idades, por exemplo, começou com um fato policial, lembrou Alexandre. No bairro José Walter, aqui em Fortaleza, houve um tempo de muita apreensão entre os moradores, até que o alívio veio quando o bandido foi parar detrás das grades. Bom, mais ou menos, já que muitos, descrentes de que o preso era mesmo o Corta Bundas, continuaram a identificar casos e a alimentar o que veio a transformar-se numa das mais arrepiantes estórias propagadas pela cidade. Pronto. Virou lenda!

Casamento desfeito é coisa do cão

E o que dá pra assustar também pode fazer rir um bocado. Diga se não é curiosa a versão de que casamentos foram desfeitos por conta do Cão da Itaoca? O próprio demo teria feito moradia numa das casas da hoje conhecida Rua Romeu Martins. Você imagina maridos insatisfeitos com o arroz queimado, armando uma confusão e dando adeus às esposas que, faceiras e destemidas, iam em busca de ver uma aparição de satanás. Vote!

Curioso é ver que essas histórias ganham versões, na medida em que se espalham, mas continuam muito parecidas, com um fio descritivo muito próximo. Se são “formas de controle social” como prega o professor Alexandre, ou se são invencionices de quem não tem o que fazer, o certo é que elas perduram no imaginário de populações inteiras. É o caso da prima da irmã de uma conhecida de uma amiga minha que jura já ter visto… E quem quiser que conte outra.

Para saber mais, leia aqui o texto primoroso de Natália Paiva (PDF)

Categoria: Atrações, Cidade, Comportamento

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Comentários (1)

lucia paiva

em 9 de maio de 2011

mais uma versão, do cão da itaoca

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